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mercredi 2 avril 2014

Após a derrota local, mudança nacional

Após uma severa derrota nas eleições locais domingo passado, a esquerda francesa e o governo estão novamente perturbados pela demissão do Premiê Jean-Marc Ayrault e a nomeação de Manuel Valls, socialista às faces variadas, no cargo. 

Manuel Valls, novo Premiê da França. Foto: Internet
 
Segunda-feira 31 de abril, 20h. A notícia ja é conhecida há algumas horas, mas François Hollande, presidente da França, anuncia na TV pública a demissão de Jean-Marc Ayrault após 18 meses de trabalho no Hotel de Matignon, residência do Primeiro Ministro francês. O discurso presidencial quer ser voluntário. Três eixos são privilegiados: justiça fiscal, baixando as taxas e impostos das empresas no âmbito do discutido “pacto de responsabilidade”; justiça social, reduzindo as taxas e impostos dos particulares, com a criação de “pacto de solidariedade” ; e, em toda lógica, a recuperação das finanças públicas, ou seja a redução das despesas públicas. Para atingir essas tarefas, o Presidente prometeu a formação de um novo governo de “combate” liderado por um novo Premiê : Manuel Valls. 
 
O discurso presidencial mais uma vez não seduziu, pois segundo pesquisas, cerca de 75% dos franceses questionados não acharam boa a declaração de François Hollande. Apesar desta nova confirmação da pouca popularidade do Chefe do Estado francês, a chegada de Manuel Valls como chefe do governo parece trazer algumas esperanças ao povo. Em altas nas pesquisas de opinião, ele podera contar com um governo reduzido ( 16 ministros ao invés de 24) que será marcado pela ausência dos aliados ecologistas apesar dos bons resultados do Partido Verde nas eleições locais. 

 
Mas afinal quem é o Manuel Valls? 
 
O novo locador do Hotel de Matignon no centro parisiense era o Ministro do Interior no governo precedente. Encarregado da segurança interna, da polícia, da administração do território e da imigração, Manuel Valls sempre representou a cara “dura” da esquerda francesa. A favor do casamento gay, ele é contra a “gravidez para outros” . Contra a entrada da Turquia na União Européia, ele permaneceu severo na questão da imigração quando parte dos eleitores esquerdistas esperavam um relaxamento depois do período Sarkozy. 
 
Exemplo mais notável : o caso Leonarda, menina do Kosovo de origem roma expulsa enquanto participava de uma excursão escolar. Apesar do escândalo, Manuel Valls confirmou a expulsão e na questão dos Romas simplesmente declarou que esta população tem “vocação de ficar na Romênia ou na Bulgária”, países de origem da maioria deles. 
 
Manuel Valls representa de fato o lado direito da esquerda francesa. Uma afirmação que se justifica nas declarações, opiniões e orientações ideológicas e econômicas do novo Premiê que muitos comparam a… Nicolas Sarkozy. Até fisicamente, semelhanças podem ser encontradas. Na hora da austeridade e do rigor governamentais, esta escolha aparece lógica. 

 
Uma mudança pós-derrota

Se a nomeação de um novo governo desse talvez possa satisfazer uma União Européia pedindo mais rigor fiscal à França, ela deixa sem nenhuma dúvida o povo de esquerda meio perplexo. Perplexidade e impaciência na chegada de verdadeiras medidas sociais prometidas em 2012 por François Hollande que os eleitores demostraram semana passada nas eleições locais. Isso se concretizou por uma verdadeira derrota do Partido Socialista que perdeu cerca de 150 prefeituras à favor da UMP (Sarkozy) e também da extrema direita que ganhou umas 10 cidades de mais de 10 000 habitantes. 

A esquerda do Partido Socialista também se preocupa da chegada de Manuel Valls em Matignon varios membros achando que a saida dos ecologistas e as criticas de varios parlementares dos diversos partidos da esquerda francesa possa enfraquecer ainda mais o executivo e o partido nas proximas eleições. 


Por: Gauthier Berthélémy 

dimanche 22 avril 2012

François Hollande na frente, Nicolas Sarkozy em segundo lugar


François Hollande, do Partido Socialista, na hora de votar hoje (foto:internet)


Neste domingo 22 de abril de 2012 aconteceu na França o primeiro turno da eleição presidencial. Para vocês, aqui são as primeiras estimativas dos resultados, os dados deste turno e as primeiras reações dos candidatos.

As 20h, hora de Paris, (15h hora de Brasília) os primeiros resultados do primeiro turno forma divulgados. Sem grande surpresa os dois qualificados são François Hollande, do Partido Socialista, que recolheu 29% dos votos e o atual presidente, Nicolas Sarkozy, da União para um Movimento Popular (UMP), que ganhou a confiança de 24% dos eleitores. Eles deverão se enfrentar para um segundo turno daqui a duas semanas. O socialista apostou bem e se posiciona agora como o grande favorito, pois pode esperar atrair os apoios da maioria dos candidatos que chegaram atrás. Arnaud Montebourg, um dos braços-direitos de François Hollande afirma que o resultado do socialista é uma “verdadeira sanção contra o presidente”. Com certeza, para Nicolas Sarkozy a decepção pode ser importante frente a este segundo lugar. Enfraquecido por um balanço medíocre e a violência da crise econômica, o candidato-presidente ganhou menos votos do que as pesquisas apostavam, favorecendo a extrema-direita, e deverá convencer ainda mais os eleitores para esperar vencer.

Nicolas Sarkozy não conseguiu convencer os franceses (foto:internet) 


A verdadeira surpresa vem dos terceiro e quarto colocados desta primeira parte da corrida ao Palácio do Eliseu. Conseguindo 11,7% dos votos, Jean-Luc Mélenchon está em baixo do que as últimas pesquisas falavam. O candidato da Frente de Esquerda não chega ao terceiro lugar que ele tinha apostado, mas atinge uma percentagem recorde numa eleição presidencial. No discurso que seguiu os resultados, Jean-Luc Mélenchon anunciou que “no dia 6 de maio, vamos vencer Nicolas Sarkozy!” declarando assim seu apoio ao candidato socialista. A única a conseguir mais votos do que nas pesquisas é a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen. A representante da extrema-direita atinge 20,1% dos votos e se posiciona como ‘o terceiro homem’ da eleição. Esta posição confere a Marine Le Pen a possibilidade de ser o ‘juiz’ do segundo turno e pode permitir à direita representada por Nicolas Sarkozy de acreditar ainda numa vitória.

Surpresa deste primeiro turno: o resultado da Marine Le Pen soa como uma vitoria para a extrema direita (foto:intenet)


Os outros candidatos tiveram resultados menores. François Bayrou, candidato do MoDem (centro) não conseguiu o mesmo recorde do que em 2007 e atinge 8,5%. Os verdes e Eva Joly caiem a 2,5% dos votos sofrendo da total ausência da questão ecológica durante toda a campanha. Nicolas Dupont-Aignan, de Debout la République, conseguiu 1,8 %. Os dois candidatos da extrema-esquerda, Nicolas Poutou do Novo Partido Anticapitalista e Nathalie Arthaud de Luta Operaria, ganharam respetivamente 1,2% e 0,7% dos votos. Finalmente, Jacques Cheminade, de Solidarité e Progrès, conseguiu 0,2%.

A participação dos eleitores diminuiu em relação a 2007. Há 5 anos ela tinha atingido 83,5% e este ano 79,9% dos franceses, não obrigados a votar, participaram.  

Gauthier Berthélémy

dimanche 25 mars 2012

Política: Segurança como tema principal da campanha


A semana que acabou de passar na França não teve nada de normal. A sociedade toda ficou de olho na procura do assassinato dos militares e das crianças judias em Toulouse, no sul da França, e na operação do RAID (tropas de choque) para prendê-lo. As imagens da intervenção policial percorreram o mundo inteiro, como as da união nacional, simbolizada pela reunião dos candidatos à Presidência em Toulouse.

A União Nacional durou uma semana. Foto: Internet

Uma pausa na campanha eleitoral aceitada por todos. É verdade que pareceria inconveniente falar brigas políticas num contexto tão terrível. Os crimes de Mohamed Mehra, o jovem que matou três militares em Montauban e três crianças e um professor na frente de uma escola judia em Toulouse, provocaram uma emoção tão grande na sociedade francesa que os candidatos decidiram deixar de lado a campanha para mostrar ao povo que eles também podiam estar atingidos pela violência destes atos.

Mas, mesmo se Mohamed Mehra foi morto pelas forças especiais da Polícia Nacional, ele deixa na sociedade e na vida política francesa um assunto importante: a questão da segurança. Pois, foi o assunto mais discutido pelos candidatos à Presidência nesses últimos dias. Marine Le Pen, candidata da Frente Nacional, foi a primeira, relembrando seus assuntos favoritos que são insegurança e imigração. Segundo ela, os dois são ligados e qualificou o Mehra de ‘muçulmano de origem magrebina’ sem nunca dizer que ele era de nacionalidade francesa. Esta situação (um jovem de origem argelina, muçulmano e que teria agido segundo os princípios da guerra santa, matando servidores do Estado e crianças) poderia ser favorável para a extrema-direita que já está aproveitando da simpatia de numerosos eleitores. Mas segundo as últimas pesquisas, Marine Le Pen perderia o terceiro lugar no primeiro turno e o deixaria ao Jean-Luc Mélanchon, candidato da Frente de Esquerda.  
Mohamed Mehra o atirador de Toulouse. Foto: Internet

Então, este acontecimento pode beneficiar ao Nicolas Sarkozy? Derrotado até pelo Dr. House que tem uma audiência maior do que ele quando fala na TV, o atual Presidente francês poderia aproveitar desta tragédia para melhorar a sua imagem. Pois é, a partir de segunda-feira, ele voltou a se apresentar como o Presidente e não mais como o candidato. Segundo as pesquisas, a sua popularidade está crescendo e as intenções de votos no primeiro turno também. Sobretudo graças a este tema da segurança no qual o ocupante do Palácio do Elysée é creditado da maior credibilidade. Uma credibilidade que o candidato socialista François Hollande afirma querer recuperar em margem do discurso de Ajaccio deste sábado.

A missão não será fácil. Em Rueil-Malmaison, Nicolas Sarkozy atacou o socialista afirmando que nunca votou nenhuma lei anti-terrorista nos últimos 5 anos e anunciou a votação de novas leis para reforçar as que já existem. Uma declaração que François Hollande não esqueceu de comentar em Ajaccio criticando o balanço do atual presidente: ‘A República deve assegurar o direito de todos à segurança e garanti-lo constantemente. Temos de aplicar a lei. Não inventar uma em cada momento e em cada circunstância’, declarou o candidato socialista antes de completar que ‘não era uma campanha que ia apagar um mandato ruim’. Uma impressão que se verifica nas pesquisas, pois, apesar da melhora do Sarkozy, ele ficaria derrotado no segundo turno, de qualquer jeito. 

Gauthier Berthélémy

jeudi 12 janvier 2012

2012, ano presidencial

Em abril de 2012, os franceses votam para escolher o 24° presidente da República francesa

O ano 2012 será muito importante para a vida política francesa. Em abril, os eleitores franceses irão às urnas para escolher o 24º presidente da República ou permitir ao atual, Nicolas Sarkozy, permanecer para mais cinco anos na função suprema. Então, quais são os diferentes candidatos à Presidência?

Numerosas são as candidaturas propostas aos eleitores. Mas o sistema eleitoral francês obriga os homens e mulheres políticos, até os simples cidadãos, a respeitar algumas condições para competir na corrida eleitoral. Uma delas é de conseguir o apoio de 500 prefeitos de cidades francesas. Essas promessas de apoio são anexadas em listas que devem ser entregues antes do dia 16 de março.

De fato, não são todos os candidatos aqui apresentados  têm ainda os 500 apoios dos prefeitos franceses. Mas, neste momento os pretendentes principais para o cargo de presidente da República são :

Nicolas Sarkozy. O atual presidente, de direita, francês ainda não oficializou a sua candidatura, mas ninguém acredita hoje que ele não irá anunciá-la nos dias que vêm. Ele sofre de uma carência de simpatia da população. Em novembro de 2011, uma pesquisa apontava que Nicolas Sarkozy só tinha 27% de opinião favorável. Os erros e as reformas mal vistas pelo povo explicam essa falta de confiança dos franceses na pessoa e no balanço do presidente. Mas, o papel de Sarkozy no plano internacional e na procura de soluções à crise econômica poderia lhe permitir ser ainda um sério concorrente nesta eleição.
Nicolas Sarkozy, atual presidente da França

François Hollande. O antigo presidente do Parti Socialiste e atual presidente do departamento da Corrèze, no centro-oeste da França, foi escolhido como candidato pelos eleitores franceses de esquerda num processo inédito na França. Com efeito, o PS decidiu escolher o seu candidato por um sistema de ‘voto preliminar’ aberto a todos, no modelo do que se faz nos EUA.  Beneficiando da saída de Dominique Strauss-Kahn depois do escândalo do Sofitel de Nova Iorque, François Hollande conseguiu apresentar-se como a alternativa à direita. Mesmo se seu programa eleitoral não foi ainda divulgado, ele tem o apoio de 57% dos franceses que declaram querer votar nele se o segundo turno fosse hoje.

Marine Le Pen. O provavél ‘terceiro homem’ da eleição seria, segundo as pesquisas, a presidente do Front National, o principal partido da extrema direita francesa. Com efeito, no dia 7 de Janeiro, 17% dos eleitores poderiam votar nela em abril. Em 2009, ela se tornou a chefe do FN sucedindo a seu proprio pai, Jean-Marie Le Pen. Seu programa mistura promessas sociais e uma defesa dos intereses nacionais como a regulação estrita da imigração. Neste contexto de crise, o discurso da ‘preferência nacional’ e da defesa dos trabalhadores seduz as classes populares e influencia os programas dos outros partidos.

François Bayrou. Presidente do Modem, Movimento democrata, ele é o principal representante do ‘centro’. O antigo ministro da Educação quer trazer uma terceira via entre o Partido Socialista e a UMP, União para um Movimento Popular, de Nicolas Sarkozy. Na eleição de 2007, François Bayrou conseguiu o terceiro lugar, se posicionando como o árbitro do segundo turno. Hoje, ele ficaria no quarto lugar com 11% dos votos.

Jean-Luc Mélenchon. Antigo membro do Partido Socialista, ele saiu dele depois de vários confrontos com os dirigentes da formação de François Hollande, como por exemplo, sobre a construção da União Europeia. Hoje, ele é lider do Partido de Esquerda, formação à esquerda do PS.  Em 2012, ele será o candidato  da Frente de Esquerda juntando numa única formação política o Partido de Esquerda, o Partido Comunista francês, a Esquerda Unitária ou ainda Républica e Socialismo. Famoso graças a suas brigas com jornalistas e a sua proximidade com os maiores movimentos sociais desses últimos anos, ele ficaria no quinto lugar com 8% dos votos.

Eva Joly. Nascida na Noruega, mas hoje francesa, a antiga juíza é a candidata do partido ecologista Europa Ecológica- Os Verdes. A sua campanha se caracteriza por formas inéditas de comunicação (vídeo). Mas também por polêmicas como a sua proposta de substituir o desfile militar do 14 de julho por um ‘desfile cidadão’ celebrando a felicidade de ser francês. Também, a sua candidatura foi criticada por vários políticos e até celebridades que não admitem que uma estrangeira com sotaque possa ser candidata. Eva Joly, que foi a porta-voz do movimento contra a barragem hidroelétrica de Belo Monte na França, poderia receber os votos de 4% dos eleitores franceses.
Clipe de campanha de Eva Joly :  'Eva Joly? Nicolas Sarkozy? (o gato pula) A reeleição dele te dá medo? Vote!'


Os outros candidatos à Presidência da República recebem entre 4% e 0% dos votos nas últimas pesquisas. O peso político e midiático desses candidatos é fraco e podemos imaginar que eles se juntarão a um dos dois candidatos que ficará no segundo turno.

A direita, podemos encontrar Dominique de Villepin (República Solidária), Christine Boutin (Partido Cristão-democrata), Nicolas Dupont-Aignan (De pé a República!) e Frédéric Nihous (Caça, pesca, natureza e tradições). A extrema direita, Carl Lang (União da direita nacional). Ao centro, Hervé Morin (Novo Centro). À esquerda, Jean-Pierre Chevénement (Movimento Republicano cidadao). A extrema esquerda, Nathalie Arthaud (luta operaria),  Philippe Poutou (Novo Partido Anticapitalista) e do lado ecologista, achamos Corinne Lepage (Cap 21).

Além destas candidaturas de homens políticos, os eleitores poderão talvez votar em cidadãos desconhecidos ou até para Eric Cantona, antigo craque do Manchester United. Mas, eles têm poucas chances de reunir o número de apoios suficiente para participar.

(Todas as porcentagens evocadas nesta matéria são os da pesquisa realizada por BVA-Le Parisien, publicada no dia 7 de Janeiro de 2012).

Gauthier Berthélémy

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