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dimanche 19 août 2012

François Hollande, 100 dias depois



Esta semana François Hollande chegou a 100 dia no Palácio do Eliseu (foto: internet)

Esta semana, François Hollande, o presidente da Republica francesa, passou a etapa dos 100 dias de governo. Crise, guerra na Siria, erros nos ministérios ou problemas pessoais, este periodo geralmente associado a um estado de graça não deu só alegria ao sucessor do Nicolas Sarkozy. Vamos dar uma volta nos três primeiros meses do governo Hollande.

Durante a campanha, a mensagem era clara. Os franceses queriam na maioria sair da era Sarkozy para entrar na mudança. A situação tinha piorado, o antigo presidente sofria de uma popularidade historicamente baixa e o contexto social feito de desemprego, insegurança e cortes anunciados era precário. A altura do desafio que esperava o François Hollande era gigantesca e as exigências dos eleitores nítidas. O socialista devia se mostrar seguro e se apresentar como o homem da situação. Apesar das dúvidas, os franceses o elegeram com a condição severa de obter resultados rapidamente.

Hoje, depois de 100 dias de governo, a ficha caiu. Segundo as pesquisas, mesmo se 57% dos francesas estimam que François Hollande está cumprindo suas promessas eleitorais, 63% afirmam não confiar nele para achar solução frente à crise econômica. Finalmente, é mais da metade dos interrogados que se sentem insatisfeitos pela ação do atual presidente (54%). De fato, François Hollande deverá fazer mais do que o prometido. Para convencer, ele deverá ter resultados no campo econômico.

E até agora, o plano do seu governo não parece límpido. A ação dele se limitou ao cancelamento de várias medidas estabelecidas durante o periodo Sarkozy. A TVA social (parte do preço do produto indo diretemente nos caixas do estado) ou ainda a supressão da exoneração fiscal das horas extras são os elementos que mostram a vontade de divórcio com a herança do Nicolas Sarkozy. A estas medidas se somam o aumento do salário mínimo ou o congelamento dos aluguéis, além das medidas simbólicas como a contratação de 1000 professores, o aumento da ajuda familiar para a volta às aulas ou a diminuição do salário dos dirigentes de empresas públicas. Infelizmente, isso com certeza não será suficiente para combater a crise.

O problema não é simples. Atacante incansável da austeridade proposta pelo Sarkozy, François Hollande teve que diminuir a sua crítica frente às exigências da sua homóloga Angela Merkel. Dito de um outro jeito, o socialista teve que adiar seus planos para respeitar a disciplina budgetaria imposta pela União Europeia. Porém, o presidente poderá se apoiar num certo elemento: em junho, François Hollande convocou uma grande reunião com os diferentes parceiros sociais como os sindicatos. Esta vontade de concertação com a sociedade civil poderia ser uma vantagem para ele, quebrando a ausência de negociação iniciada durante a presidência de Nicolas Sarkozy.

Mesmo se posicionando à distância do seu sucessor, ainda é dificil definir uma linha de ação clara complicada pelos ataques incansáveis da oposição que chegou rapidamente a exercer seu papel de oposição e pelos errinhos do início do mandato. Entre eles, o anúncio de reformas na educação antes das negociações, o apoio à legalização da maconha de uma das ministras enquanto o Hollande afirmou que não será pauta do seu governo ou ainda a troca de mensagens hostis entre a primeira-dama e a ex esposa do presidente no twitter, ou ainda a critica da oposição sobre a falta de posição forte na crise na Síria participaram da cacofonia que fragilizou um pouco mais uma imagem do François Hollande na opinião popular.

A certeza é que o presidente nunca terá facilidades.  As pesquisas demostram que cumprir as promessas eleitoreiras ou mostrar um certo voluntarismo nas questões sociais não será suficiente. O François Hollande deverá ser melhor, se ele se mostrar eficiente nas questões econômicas. Só falta ao socialista comprovar aos franceses que ele pode aplicar seu lema eleitoral : "a mudança é agora". 

Gauthier Berthélémy

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